sábado, 7 de março de 2009


Somente mais uma crônica de um dia qualquer



O vai-e-vem no cinza da cidade

Mas um dia começa,o Sol não nasceu ainda,mas a obrigação me chama,tomo meu café com gosto de presa,pego um ônibus onde todos parecem tão cinzas e mão humorados.Da janela vejo as pistas como artérias entupidas e saturada de carros e caos,a fumaça irrita os olhos...mas quem se importa...trabalhamos para sairmos dos ônibus abarrotados para o conforto individual daqueles veículos(é o que se sonha),os carros não andam,pois não resta mas espaço para o conforto individual;assim como o ar parece queimar nossas gargantas.

As pessoas esbarram-se pelas ruas,pressa,pressão, seguindo ordens, insatisfeitas sobrevivendo sobre cobranças e prazos,lutando em um mundo competitivo,peças de um jogo...a rotina diária tem fome, e temos que alimenta-la.Excluídos estão os mendigos,meninos de rua ,vagabundos e drogados,indiferentes para nós quase sempre,que se misturam com os papeis e panfletos que se acumulam,panfletos que trazem o sonho que só o dinheiro pode comprar...por isso suportar...onde pessoas são descartáveis,são números e dados de estatísticas somente.

Na hora do almoço aproveito e vejo o jornal,que me fala de catástrofe naturais...resposta contra o predador...entre outra mastigada a violência da cidade,roubos e mortes...resposta talvez dos filhos que a sociedade negou...outra garfada e vem a crise econômica...resposta ao padrão de vida consumista,onde o leão devora a si mesmo...ainda antes de terminar ainda vejo um caso de corupção de um deputado...resposta contra á sociedade que o elegeu,sociedades formada por muitos gananciosos e por pessoas passiveis de reação...depois de muito sangue termino meu almoço.

No trabalho a mesma rotina,muitos estão ali só pensando na hora de acabar o turno, estão lá pra sobreviverem ,numa guerra não declarada um contra todos,não vivem,sobrevivem os não motivados,e os que disem que vivem são motivados pela ganância e pelos prazeres da vida material, usando mascaras ,não sendo sinceros,esperando a sua falha para poderem se sobressaírem.

Na volta para casa encontro de novo as mesmas caras fechadas e cansadas,no temor que o ônibus não quebre ou seja assaltado.Chego em casa e faço os mesmo movimentos que case parecem programados,procurar algo para comer,tomar um banho,ver um pouco de TV(que diz o que eu já sei, que estamos perdidos).Deito e antes de cair no sono que vem do cansaço,reflito sobre a vida, penso sobre o dia,o que eu não fiz e o que deveria ter feito...não sei porque mais sempre deito com uma estranha sensação de estar carregando todo o peso do mundo na cabeça....o sono me pega.......droga já são seis da manha!

A.Banderas


 

                                                 Seu mundo

 

Eu não quero pertencer ao seu mundo,não quero viver sobre seus preceitos,será que não compreende?

Não quero ficar preso em seu mundo,porque,se posso conhecer as

infinidades do universo?

Seu mundo se torna cinza por suas limitações e suas imutabilidades

E não vês que me contaminas,não quero ser  outro mundo sujo

Eu não quero ser...


A.Banderas