
Somente mais uma crônica de um dia qualquer
O vai-e-vem no cinza da cidade
Mas um dia começa,o Sol não nasceu ainda,mas a obrigação me chama,tomo meu café com gosto de presa,pego um ônibus onde todos parecem tão cinzas e mão humorados.Da janela vejo as pistas como artérias entupidas e saturada de carros e caos,a fumaça irrita os olhos...mas quem se importa...trabalhamos para sairmos dos ônibus abarrotados para o conforto individual daqueles veículos(é o que se sonha),os carros não andam,pois não resta mas espaço para o conforto individual;assim como o ar parece queimar nossas gargantas.
As pessoas esbarram-se pelas ruas,pressa,pressão, seguindo ordens, insatisfeitas sobrevivendo sobre cobranças e prazos,lutando em um mundo competitivo,peças de um jogo...a rotina diária tem fome, e temos que alimenta-la.Excluídos estão os mendigos,meninos de rua ,vagabundos e drogados,indiferentes para nós quase sempre,que se misturam com os papeis e panfletos que se acumulam,panfletos que trazem o sonho que só o dinheiro pode comprar...por isso suportar...onde pessoas são descartáveis,são números e dados de estatísticas somente.
Na hora do almoço aproveito e vejo o jornal,que me fala de catástrofe naturais...resposta contra o predador...entre outra mastigada a violência da cidade,roubos e mortes...resposta talvez dos filhos que a sociedade negou...outra garfada e vem a crise econômica...resposta ao padrão de vida consumista,onde o leão devora a si mesmo...ainda antes de terminar ainda vejo um caso de corupção de um deputado...resposta contra á sociedade que o elegeu,sociedades formada por muitos gananciosos e por pessoas passiveis de reação...depois de muito sangue termino meu almoço.
No trabalho a mesma rotina,muitos estão ali só pensando na hora de acabar o turno, estão lá pra sobreviverem ,numa guerra não declarada um contra todos,não vivem,sobrevivem os não motivados,e os que disem que vivem são motivados pela ganância e pelos prazeres da vida material, usando mascaras ,não sendo sinceros,esperando a sua falha para poderem se sobressaírem.
Na volta para casa encontro de novo as mesmas caras fechadas e cansadas,no temor que o ônibus não quebre ou seja assaltado.Chego em casa e faço os mesmo movimentos que case parecem programados,procurar algo para comer,tomar um banho,ver um pouco de TV(que diz o que eu já sei, que estamos perdidos).Deito e antes de cair no sono que vem do cansaço,reflito sobre a vida, penso sobre o dia,o que eu não fiz e o que deveria ter feito...não sei porque mais sempre deito com uma estranha sensação de estar carregando todo o peso do mundo na cabeça....o sono me pega.......droga já são seis da manha!
A.Banderas
